Na área de empreendedorismo, spin offs são empresas derivadas de outras, nesse caso, de um projeto de pesquisa iniciado no Campus Caicó do IFRN há 4 anos: o Samanaú – rede de coleta de dados sem fio. À época, Juscelino era aluno do curso técnico integrado em Informática e um dos integrantes do projeto, que tinha como orientadores os professores Moisés Souto e Max Miller. O projeto foi crescendo e deu origem ao Centro de Competências em Software Livre (CCSL), hoje presente em 6 campi da Instituição. O Samanaú ganhou mais colaboradores, como o professor Bruno Vitorino e outros estudantes de iniciação científica. Nesses 4 anos, foram cerca de 100 pesquisadores.
Com a apresentação em feiras e eventos científicos, o Samanaú começou a ganhar prêmios, como na Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (FEBRACE), promovida pela USP, em São Paulo, e o International Susteinable World Project Olympiad (I-Sweep), realizado em Houston, nos EUA.
A relevância do projeto conquistou também o apoio de importantes instituições nacionais de pesquisa. O Samanaú recebeu o apoio financeiro da Agência Espacial Brasileira (AEB) e do CNPq, através de aprovação em editais públicos. Contou ainda com o apoio científico do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). “Somos muito gratos ao doutor Manoel Carvalho, do INPE, que acreditou no potencial do projeto e nos deu todo o apoio possível, como também ao professor Belchior Rocha, reitor do IFRN durante o desenvolvimento do projeto. Foram as parcerias institucionais que permitiram que o projeto crescesse”, destacou Moisés Souto.
“Chegou uma hora em que a gente não queria mais ganhar prêmios. A gente queria dar um passo adiante. Em todas as feiras e palestras que participávamos, os pesquisadores falavam que tínhamos uma oportunidade de inovação. Decidimos acreditar nisso”, revelou Juscelino. Para ele, a abertura da empresa é um grande desafio. “Uma coisa é trabalhar com pesquisa científica. Outra é ir para o mercado. O Samanaú tem uma grande contribuição a dar a regiões mais distantes dos centros de pesquisa, pois apresenta uma solução acessível financeiramente para a coleta de dados ambientais. Venho do interior do estado e desejo que a Coiot consiga cumprir o seu papel social e tudo que se espera de uma empresa inovadora”, completou.
“Sem o contrato, eles não poderiam comercializar uma tecnologia que não era deles”, destacou Cynthia Souto, advogada da Coiot. A partir de agora, o ex-aluno do IFRN é oficialmente um empreendedor. De acordo com os termos assinados no contrato, 10% do valor faturado com a comercialização da tecnologia serão revertidos ao IFRN, o que deverá ser utilizado para a promoção de outros projetos de pesquisa, com potenciais parecidos com o do Samanaú. “Dessa forma, a gente estabelece um ecossistema propício à inovação”, explicou o pró-reitor de Pesquisa, Márcio Azevedo.
O Samanaú desenvolve uma tecnologia baseada em software livre para a obtenção de dados meteorológicos a baixo custo. Com isso, podem se beneficiar os setores agrícola (através de previsões meteorológicas) e da saúde (estudo da evolução de endemias em dadas condições climáticas), por exemplo.